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incólume
creio que passei ileso pelas possíveis agruras da vacina contra a febre amarela. estava com medo de algum revertério por conta da gripe monstra que me derrubou há duas semanas. mas so far so good.
Escrito por alberto guzik às 11h49
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o livro da lenise
a exímia fotógrafa de cena e bastidores lenise pinheiro lança hoje em livro seu balanço de 25 anos dedicados a capturar a vida cênica por meio das lentes de suas máquinas. o livro, longamente almejado por ela, é resultado de mais um trabalho das edições sesc, e será lançado hoje, oito da noite, na bienal do livro, no estade do sesc, com um debate e sessão de autógrafos. eu não vou. estarei em cena pra mais uma sessão de 'vestido de noiva'. mas quem curte teatro deve ir lá. o que lenise pinheiro obtém de suas lentes é inspirado e inspirador.
Escrito por alberto guzik às 11h40
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sempre segue
o livro novo continua a avançar. não está fácil nem é simples. as idéias estão consolidadas, a história continua a se contar para mim e eu vou jogando na tela as peripécias do meu pobre herói. já tenho acho que um terço do livro pronto, ou quase. imagino que chegará a 300 páginas, e estou com perto de cem já escritas. o processo é um mergulho em tunel. desde que comecei a escrever, quase não tenho ido a cinema, quase não tenho visto teatro, quase não vejo amigos. saio correndo sempre de volta para casa, de volta pro livro. volto obsessivo até mesmo pras sessões em que fico olhando a tela e o máximo que faço é trocar uma palavra ali e acrescentar uma linha aqui. dolorido, dolorido. jerry thomas, meu amado amigo, escreve para dizer que desde outro dia sente um tom estranho no que eu escrevo. acho que tudo que posto aqui está contaminado por essa grande aventura, que é o meu processo com o romance. há momentos de paraíso e muitos outros de desespero absoluto. tantas horas penso em desistir, em abrir mão. me pergunto por que estou contando essa história. pra quem estou contando. me pergunto por que esse livro me escolheu pra escrevê-lo. em outros momentos sei que ninguém senão eu poderia escrever isso. ainda não é o caso de abrir a trama nem de contar detalhes. mas, como jerry informou no blog dele em primeira mão, o título do livro é: "um crítico".
Escrito por alberto guzik às 11h29
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vejo as fotos
do incêndio do cultura artística, leio as matérias. tudo tão triste. penso nas pessoas que conheço e estimo, que trabalharam lá por anos. muita melancolia. agora vem a notícia de que as paredes podem estar perto de desabar. meu amado ivam, ao chegar no camarim do jardel filho, no domingo, disse várias vezes que nós não somos nada. ele tem razão, não somos mesmo. mas, como ele mesmo deixou evidente em um post a que deu o título 'mudando de disco', é preciso seguir adiante e, até que voltemos ao nada de que somos feitos, melhor é avançar com toda a graça, habilidade, inteligência e dignidade de que somos capazes.
Escrito por alberto guzik às 11h53
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estou
ouvindo muito 'viva la vida' do coldplay. chris martin e sua turma fazem som do bom.
Escrito por alberto guzik às 11h47
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um dia é da caça...
ontem marta e as meninas do futebol fizeram 4x1 na alemanha e garantiram no mínimo a prata. hoje ronaldinho e os meninos do futebol estão levando de 3x0 da argentina.
Escrito por alberto guzik às 11h46
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Konstantinos Kaváfis
MELANCOLIA DE JASÃO, FILHO DE CLEANDRO, POETA EM COMAGENA, 595 D.C.
"O envelhecimento do meu corpo, do meu rosto / é a ferida de um punhal terrível. / Como não tenho resignação nenhuma, / recorro a ti, oh Arte da Poesia, / que algo sabes de remédios, / na tentativa de embotar a dor com Fantasia e Verbo. // É a ferida de um punhal terrível. - / Dá-me dos teus remédios, Arte da Poesia, / que me fazem - um instante - não sentir a ferida." tradução de josé paulo paes
Escrito por alberto guzik às 11h31
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já que outro dia indiquei um texto candente no blog do Ademir Assunção
posto aqui mais um dos poemas de "LSD Nô":
MEIO DESLIGADO
vou recolher as antenas / vou ser apenas / vou falar sem falar / viver às margens do Sena / vou ver / vai ver eu volte / tchau / vou ver se estou numa esquina de Atenas
Escrito por alberto guzik às 11h26
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tipo urbano
louríssima. pele branquíssima. cabelos repartidos ao meio, descem bem abaixo dos ombros. muito bem tratados. parecem cabelos que aparecem nesses inacreditáveis comerciais de xampu. ela não é pequena. é grande, meio grandalhona, até. mas se comporta como se fosse uma miniatura de porcelana de saxe. toda delicadinha, toda cheia de gestinhos. carrega várias sacolas de compras, só lojas chiques, e uma grande bolsa com o d de dior, aquele d arredondado, barrigudo, estampado por toda a superfície. a loura branca está muito bem maquiada, tudo suave, combinando com sua tez, que parece uma máscara de gueixa. ela está parada, à espera. a roupa é estranha. essa mulher grande, talvez a big blonde da dorothy parker escapada da ficção, usa um sortinho preto que vai só até o comecinho das redondas coxas. usa meias de seda bege-claras e sapatos pretos de verniz de saltos bem altos e bicos pontiagudos. ao contrário dessas pernas à vista plantadas sobre os lustrosos saltos altos, o torso e os braços estão totalmente cobertos. veste blusa branca de mangas compridas com um grande jabot de renda branca pendurado da gola. por cima uma jaqueta preta, do mesmo tecido e cor dos shortinhos, com botões dourados na frente e nos punhos. várias correntes douradas ao pescoço. tantos dourados ornam com os cabelos cor de trigo. ela é muito chique, mas um tanto desconjuntada. enfim pára um carro prateado ao seu lado. vidros protegidos por filme, impossível saber quem está dentro; abre-se uma porta, a big loira acomoda as sacolas no banco de trás e daí vai, muito calma e grande e linda, para o assento do carona. e lá vai ela no carro prata. uma mulher imperial.
Escrito por alberto guzik às 10h57
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so far
sobrevivi à vacina contra a febre amarela. ao menos até agora.
Escrito por alberto guzik às 10h45
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vereda tropical
acordo bem cedo. vou com o ator chico ribas ao hospital das clínicas tomar vacina pra febre amarela. entraremos numa vereda tropical. depois que a temporada terminar no centro cultural, no dia 7 de setembro, vamos levar o 'vestido de noiva' pra bolívia. meados de setembro estaremos em santa cruz de la sierra. a idéia é levar o texto parte em espanhol, parte em português, como aconteceu com 'liz', em havana.
Escrito por alberto guzik às 07h53
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o fogo
entrem no blog do ivam e vejam as fotos que ele tirou do incêndio no teatro cultura artística. ele capturou a tragédia no instante em que ela ocorria. e na fumaça fotografada pelo ivam, há caras, máscaras. só consigo lembrar, como legenda pras fotos dele, das últimas palavras de 'no coração das trevas', de joseph conrad: "o horror, o horror". é uma desolação. e o que será dos colegas que perderam cenários e figurinos, ou seja, perderam a base de seu trabalho? que faz um ator sem cenários e figurinos? como 'o bem-amado' e 'toc toc' vão poder voltar ao cartaz? a semana começa triste, meu deus.
Escrito por alberto guzik às 07h50
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outro grande amigo escreve pra contar que gastaria R$ 1500, se tivesse, pra ver andrea marcovicci. sabem quem é? atriz e cantora e performer. a grande e única diva moderna da arte de cabaré. tenho de admitir que esse meu amigo tem muito bom gosto, muito mesmo. ainda assim, nem por andrea marcovicci eu pagaria milequinhentão.
Escrito por alberto guzik às 18h31
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outra versão
meu amigo se tornou pai há um ano. e depois de ler aqui sobre a versão do filho da lúcia pra 'garota de ipanema' me contou que também adotou uma outra letra pra música clássica de tom e vinicius. diz ele que de manhã, ao café, quando a filhota está brincando os pés dele, ele cantarola, com todo o afinamento de que é capaz: 'olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é essa antônia que vem e que passa, num doce balanço a caminho do pai'. não é absolutamente encantador?
Escrito por alberto guzik às 18h27
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incêndio
o teatro cultura artística pegou fogo. salvou-se o painel de pastilhas de di cavalcanti na fachada. mas a sala esther mesquita foi destruída. e uma grande parte dos equipamentos internos também. penso em meus colegas que iriam atuar lá esta noite. penso nos concertos que iriam realizar-se lá nos próximos dias e semanas. e penso que a destruição do teatro dói em mim como se fosse a de alguém próximo que eu amo. um teatro não é apenas um prédio. e sua destruição não é apenas um incêndio. tem sempre uma carga de metáfora imensa. além das memórias que acorrem. a quantidade de coisas que eu vi e vivi nesses anos todos no cultura... espero que como a fênix ele possa renascer das cinzas. mas imagino como isso será difícil. a cultura em são paulo perde um "local de culto", e tem de vestir luto.
Escrito por alberto guzik às 18h00
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